A cada ano, com a aproximação do Círio de Nazaré, a BR-316 se transforma em um caminho de fé. Homens, mulheres, idosos e famílias inteiras percorrem quilômetros até Belém, movidos pela devoção a Nossa Senhora de Nazaré. Nesta quarta-feira (7/10), o fluxo de romeiros aumentou na BR-316, reunindo histórias de superação, promessas e agradecimentos por graças alcançadas.
Ao longo da rodovia, grupos caminham por horas, enfrentando o cansaço, o calor e as dores do corpo. Mas, para quem faz a peregrinação, a fé fala mais alto. Cada passo representa uma oração, um pedido ou um agradecimento.
Vinda de Santa Maria do Pará, a agente de saúde Ana Carolina Ferreira Monteiro, de 38 anos, participa pela segunda vez da caminhada até Belém. Ela conta que a peregrinação é uma forma de agradecer por dois milagres recebidos pela família.
“É uma emoção muito grande estar mais um ano nessa caminhada. Meu sogro foi curado de um câncer e meu sobrinho também passou por uma cirurgia e, graças a Deus, está bem. Hoje eles estão curados. Não é fácil, porque o corpo cansa, mas com fé a gente chega lá”, afirma.
Assim como Ana Carolina, milhares de pessoas seguem pela estrada, carregando histórias marcadas pela devoção. Entre elas está a do marceneiro Carlos Alberto Câmara Pardal, de 70 anos, também morador de Santa Maria do Pará. Há 19 anos, ele participa da peregrinação e foi um dos fundadores do grupo ‘Romeiros de Santa Maria‘, que hoje reúne familiares e amigos.
Segundo Carlos, a caminhada começou após um período difícil de saúde e ganhou ainda mais significado quando o neto enfrentou um problema que o deixou em uma cadeira de rodas.
“Os médicos chegaram a dizer que ele ficaria paralítico. Eu me peguei com Nossa Senhora e prometi que, se ele voltasse a andar, eu o levaria até a Basílica. E foi isso que aconteceu. Hoje ele está bem, casado e com saúde. Essas foram as grandes bênçãos que recebi”, relembra com muita emoção.
O marceneiro diz que, atualmente, não caminha para pagar promessas, mas para apoiar o grupo que ajudou a criar. Com o passar dos anos, filhos, genros e outras pessoas se juntaram à peregrinação.
“O grupo foi crescendo e ninguém quer abandonar. Hoje eu venho para dar apoio e continuar essa tradição de fé que me ajudou lá atrás e me ajuda até hoje”, conta.
Apoio que nasce da solidariedade
A fé dos romeiros também encontra acolhimento ao longo da estrada. No quilômetro 43 da BR-316, a dona de casa Rita Barreto Nunes, de 79 anos, abre as portas de casa para receber peregrinos há 14 anos.
O trabalho começou a partir de um pedido de coordenadores de grupos de Belém, que precisavam de um local para oferecer apoio aos romeiros. Desde então, a casa se tornou ponto de descanso, alimentação e acolhimento.
“Aqui não é mais meu, aqui tudo é nosso. A gente serve os romeiros com muito amor e alegria. Hoje eu posso dizer que estou vivendo o céu aqui na terra”, afirma.
Mãe de 14 filhos, avó, bisavó e tataravó, Rita diz que o período do Círio é um dos mais especiais do ano. Mesmo com dificuldades de locomoção por conta do joelho, ela faz questão de participar da preparação para receber quem passa pela rodovia.
“É muita felicidade. Eu sinto que Nossa Senhora cuida de mim e da minha família. Tudo o que chegou até aqui foi por milagre”, diz emocionada.
Fonte: O Liberal

