Os números apontam uma discreta melhora, mas estão longe de representar uma vitória. Entre janeiro e junho deste ano, o Brasil registrou 741 vítimas de feminicídio, 19 a menos que no mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 760 casos.
A redução de 2,5% interrompe a tendência de alta observada no início do ano, mas mantém um cenário alarmante: quase quatro mulheres são mortas diariamente apenas por serem mulheres.
Os dados integram o Monitoramento Nacional da Violência contra a Mulher, elaborado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública em parceria com o Ministério das Mulheres. O levantamento mostra que a violência não diminuiu de forma uniforme. Nove Estados registraram aumento nos casos, evidenciando que a redução da média nacional esconde realidades bastante distintas entre as unidades da Federação.
O crime persiste
Outro aspecto que preocupa é a persistência do crime mesmo com o fortalecimento de mecanismos legais, como a Lei Maria da Penha, a tipificação do feminicídio e a ampliação das medidas protetivas. Especialistas apontam que a resposta estatal ainda enfrenta dificuldades na prevenção, na fiscalização do cumprimento das medidas judiciais e na proteção das mulheres ameaçadas.
O balanço também indica uma desaceleração ao longo do semestre. Enquanto os três primeiros meses concentraram 400 feminicídios, entre abril e junho foram registrados 341 casos. Ainda assim, o volume de assassinatos revela que a violência de gênero permanece como um dos principais desafios da segurança pública brasileira.
O desafio no Pará
Os dados nacionais reforçam a necessidade de um olhar regionalizado. No Pará, a discussão passa não apenas pela quantidade de feminicídios, mas pela capacidade da rede de proteção em atender vítimas, garantir medidas protetivas e evitar que casos de violência doméstica evoluam para o desfecho mais extremo.
Esse é um tema que merece acompanhamento permanente. Cada feminicídio representa o fracasso de uma cadeia de proteção que deveria identificar, acolher e interromper a escalada da violência antes que ela termine em morte.
Fonte: Coluna Olavo Dutra

