Enquanto o governo do Estado sustenta, em discursos e campanhas, a narrativa de valorização das forças de segurança, a realidade salarial de uma de suas carreiras mais técnicas desmente o enredo. Levantamento da Associação Brasileira de Criminalística, atualizado neste mês, expõe o Estado entre os piores do País na remuneração dos peritos oficiais de natureza criminal.
No ranking nacional, o Pará aparece apenas na 22ª posição no salário inicial, com vencimento de R$ 12.463,64, e despenca para a 27ª colocação no final da carreira, com R$ 15.149,64. É o pior desempenho da Região Norte em ambos os critérios.
Lanterninha do Norte
A comparação regional é constrangedora. Estados vizinhos como Amapá, Amazonas, Rondônia e Tocantins pagam mais, tanto no ingresso quanto no topo da carreira. O Amapá, por exemplo, figura entre os melhores salários iniciais do País e também se destaca na remuneração final, enquanto o Pará permanece no rodapé da tabela nacional.
No extremo oposto, a Polícia Federal lidera o ranking, com salários iniciais superiores a R$ 27 mil e finais acima de R$ 41 mil, escancarando o abismo entre o discurso e a prática adotada no Estado.
Técnica ignorada
Peritos criminais são responsáveis por laudos que sustentam investigações, ações penais e decisões judiciais. Sem eles, não há prova técnica, não há processo sólido, não há Justiça que se sustente. Ainda assim, no Pará, a carreira segue tratada como acessória, apesar de seu papel central no sistema de segurança pública.
O estudo da Associação Brasileira considera exclusivamente a remuneração prevista em lei, sem gratificações ou penduricalhos, o que torna o retrato ainda mais fiel – e mais incômodo.
Valorização no palanque
Os números desmontam a retórica oficial. Valorização que não chega ao contracheque não passa de propaganda. Para os peritos criminais do Estado, sobra responsabilidade técnica; falta reconhecimento financeiro. No ranking, o Estado já escolheu seu lugar – e não é honroso.

Fonte: Coluna Olavo Dutra

