A partir de hoje, 6, Belém entra em regime de segurança máxima para o início da Cúpula dos Líderes, etapa central da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP30, que segue até sexta-feira. As medidas mais severas estão no espaço aéreo, com áreas de exclusão e circulação restrita de aeronaves sob comando direto da Força Aérea Brasileira.
A Polícia Federal assume a coordenação geral da segurança pública durante toda a conferência. O trabalho começou há meses, mas ganhou ritmo acelerado desde o Global Citizen Amazônia, no sábado, 1, e com a chegada de dois transatlânticos ao Porto de Outeiro, na segunda-feira, 3.
O céu sob vigilância
De acordo com o Comando de Operações Aeroespaciais (Comae), a FAB utilizará caças F-5M com mísseis Python 4 e A-29 Super Tucano para garantir a soberania do espaço aéreo. O avião-radar E-99 fará a vigilância e o helicóptero H-60L Black Hawk será empregado em missões de busca, salvamento e transporte de equipes.
Como na Rio Climate Action Week, no Rio de Janeiro, há dois meses, a operação contará com o KC-390 Millennium, avião-tanque capaz de reabastecer caças em pleno voo.
“É um tanque de combustível no ar, permitindo que o F-5 voe o tempo todo”, afirmou o tenente-brigadeiro do Ar Alcides Teixeira Barbacovi, comandante das operações.
Barbacovi confirmou ainda o uso de equipamentos antidrones, medida reforçada após o aumento de voos não autorizados nas imediações do aeroporto de Belém.
Áreas restritas
As restrições terão como ponto de referência o Hangar Centro de Convenções da Amazônia, dividido em quatro zonas:
Branca (reservada) – raio de 148 km.
Amarela (restrita) – 111 km.
Vermelha (proibida) – 8 km
Supressão total – 2 km, onde só poderão operar aeronaves de emergência.
O controle e a autorização de voo caberão ao Comae, responsável pela defesa aeroespacial. A ativação das zonas ocorre uma hora antes e uma hora depois dos eventos da Cúpula.
Pelo Decreto nº 12.699, de 29 de outubro de 2025, aeronaves que descumprirem as regras – voando sem plano aprovado ou sem identificação – poderão ser classificadas como hostis e destruídas.
Missão da PF
A Polícia Federal terá sob comando dez frentes estratégicas, cobrindo desde segurança de autoridades e ciberdefesa até operações fluviais, portuárias e antibombas. A operação, considerada o maior desafio de segurança já realizado no Brasil, envolve a presença de 150 delegações estrangeiras e mais de 50 chefes de Estado e de governo.
As ações seguem quatro níveis de integração com outras forças, conectados ao Departamento de Segurança das Nações Unidas (UNDSS), garantindo resposta imediata a qualquer incidente.
Território inviolável
No Parque da Cidade, a Blue Zone – área de acesso restrito gerida pela ONU – é o coração da COP30, onde ocorrem as negociações e plenárias oficiais. O espaço tem status de território inviolável, conforme acordo firmado entre o Brasil e as Nações Unidas.
A segurança interna cabe à ONU; a PF, em cooperação com forças nacionais, protege o perímetro e o entorno urbano. Um oficial de ligação brasileiro, indicado pelo Ministério da Justiça, atuará 24 horas dentro da Blue Zone, integrando a comunicação entre os sistemas da ONU e do governo brasileiro.
Fonte: Coluna Olavo Dutra

